domingo, 29 de maio de 2011

Luísa Ducla Soares


Ao menino Jesus
Hoje é dia de Natal
Mas o menino Jesus
Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.
Recebi cinco brinquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre menino Jesus,
Faz anos e está despido.
Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.
Os reis de longe trazem
Tesouros,incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.
Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão.
Prosa
Uma Vaca Chamada Estrelinha

Lado a lado viviam o primo Zé mais o primo Barnabé.
Cada qual tinha a sua casa de pedra escurecida, apanhada aqui e além, pelas serranias, cada qual a sua horta de pobre, com o milho a crescer junto às batatas, couves repolhudas roídas pelos caracóis, meia dúzia de galinhas a debicarem à solta. E cada qual tinha o seu sonho também.
- Ah!, se eu tivesse uma vaca! - dizia o primo Zé -, não era eu que engolia este café aguado. Havia de beber uma boa caneca de leite.
- E não seria o Barnabé a roer pão seco. Não! Havia de guardar as natas para fazer manteiga, havia de ir buscar cardos ao monte para talhar o leite e preparar queijos de se lhes tirar o chapéu.
O primo Zé coçava a cabeça, o primo Barnabé repuxava o bigode, pois bem sabiam que era sonho alto de mais para tão pequenas economias.
No entanto, mal se encontravam voltava a mesma conversa.
- Farta-se a gente de suar e esta terra não dá nada. O milho seca antes de criar espiga, a batata é miúda e engelhada, as couves mais duras do que caniços - lamentava-se um.
- Tivéssemos nós uma vaquinha isto andaria que nem um brinco. Adubava-se a preceito, com bom estrume, e era ver as plantas crescerem, os milhos dobrarem ao peso das maçarocas, as sacas encherem-se de batatas, as couves tornarem-se tenras, viçosas que nem flores - exclamava o outro.
Assim passaram semanas, meses, anos. Chegado Outubro, marchavam para a feira a vender o que granjeavam, com a carteira magra no bolso do casaco. Lá se ia o dinheiro em sementes, em pás e enxadas, lá se gastava num casal de coelhos, numa cabra, num porco para a engorda.
Não deixavam por isso de parar diante das vacas de trabalho, amarelas, musculosas, de grandes chifres revirados, das gordas vacas leiteiras, todas malhadas, de pequenos chifres e grandes olhos meigos, resignados.
Primo Zé apalpava a carteira, primo Barnabé apalpava a carteira.
- Ah!, se eu tivesse oito notas de mil, Barnabé.
- Quatro contos ainda eu arranjo...
- Outros quatro, eu! - atalhou o primo.
- E se comprássemos a meias aquela vaca?
Era uma estampa: branca e preta, de raça turina, muito luzidia, com uma estrela preta na testa e uma estrela branca no lombo.
Resolvido o negócio, ataram-lhe uma corda ao pescoço e deitaram pernas ao caminho.

Temos uma vaca
Chamada Estrelinha.
Metade é tua,
metade é minha.

Cantarolavam com bom humor.
Chegados ao seu destino, fizeram-lhe um curral - metade na terra de um, metade na terra de outro - e aí instalaram a Estrelinha, vaidosa que nem princesa num palácio.
Então, contemplando a obra, o primo Zé exclamou:
- Comprámos a vaca a meias, mas ainda não decidimos qual metade será a minha - a da cabeça ou a do rabo.
- Mas que pergunta! Se queres que te diga, a cabeça sempre é mais airosa, mais limpa, mas a mim tanto me faz.
- Então eu fico com a parte de trás.
No dia seguinte, logo de manhã, primo Barnabé encontrou o Zé a mungir a vaca. Zumba que zumba, era apertar-lho as tetas que o leite jorrava num esguicho. Já enchera uma vasilha até ao gargalo. E para o carrinho de mão acarretava duas pazadas de estrume.
- O meu trabalho está pronto! - disse o madrugador, esfregando as mãos de contente. - Cabe-te a ti, agora, dar a ração ao animal, visto ele comer com a boca, e essa parte não me pertence.
Ficou abismado o primo Barnabé, mas lá veio com seu carrego de palha, de fava, de erva, enquanto o outro batia manteiga e fazia queijos para ir vender.

Enriquecia o segundo, empobrecia o primeiro, matutando na triste sorte que lhe coubera. A parte da frente da vaca só dava gastos, a de trás rendia um dinheirão. Até que teve uma ideia...
- Ó primo - disse ele -, fartei-me da minha meia vaca. Desde que a comprei que não passo da cepa torta, que não provo um naco de carne. Ao menos hoje vou regalar-me com bifes!
E pôs-se a afiar um facalhão para cortar a vaca ao meio. Mas esta é que não gostou da proposta. Atirou dois coices ao Barnabé, uma marrada ao Zé e fugiu pela porta escancarada.
Assim acabou a história

De uma linda vaca
chamada Estrelinha.
Metade é tua,
metade é minha.

BIOGRAFIA
Nasceu em Lisboa a 20 de julho de 1939 e licenciou-se em Filologia Germânica. Iniciou a sua atividade profissional como tradutora, consultora literária e jornalista, tendo sido diretora da revista de divulgação cultural " Vida " ( 1971-2). Colaboradora de diversos jornais e revistas, estreou-se com um livro de poemas, " Contrato", em 1970. Foi adjunta do Gabinete do Ministro da Educação ( 1976-8 ). Trabalha desde 1979 na Biblioteca Nacional onde iniciou a sua atividade realizando uma bibliografia de literatura para crianças e jovens em Portugal. Aí organizou numerosas exposições, sendo atualmente assessora desta instituição e responsável pela Área de Informação Bibliográfica. Orientando-se preferencialmente para a literatura destinada a crianças e jovens, publicou mais de 80 obras. É sócia fundadora do Instituto de Apoio à Criança. Tem escrito guiões televisivos e preparou diversos sites de internet, nomeadamente os da Presidência da República durante o mandato de Jorge Sampaio. Tem elaborado para o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas , para o Ministério da Educação e Fundação Gulbenkian diversas publicações seletivas da literatura infantil nacional e internacional. Vários poemas seus foram musicados, tendo sido editado em 1999 um CD com letras exclusivamente de sua autoria musicados por Susana Ralha. Intitula-se 25 por ser constituído por 25 canções e se integrar na comemoração dos 25 anos da Revolução de 25 de abril. Junto de escolas e bibliotecas desenvolve regularmente ações de incentivo à leitura. Participa frequentemente em colóquios e encontros, apresentando conferências e comunicações sobre problemática relacionada com os jovens e a leitura e sobre literatura para os mais novos. Recusou, por motivos políticos, o Grande prémio de Literatura Infantil que o SNI pretendeu atribuir-lhe pelo livro " História da Papoila " em 1973. Recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro do biénio 1984-5 por " 6 Histórias de Encantar" e foi galardoada com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra em 1996. Em 2004 foi selecionada como cadidata.



                                                 Trabalho elaborado por:

                                            - Francisco Pestana, nº 8;
                                         - Gabriel Valadas, nº 9;
                                                - Gonçalo Rodrigues, nº 10;
                                   - Miguel Gil, nº 19.

                                     Turma 5ºC

Luisa Ducla Soares


Biografia
Nome completo:   Luisa Ducla Soares
Onde nasceu : Lisboa
Quantos livros publicou: 45

POEMA

Tudo de pernas para o ar
Numa noite escura, escura,
o sol brilhava no céu.
Subi pela rua abaixo,
vestido de corpo ao léu.
Fui cair dentro de um poço
mais alto que a chaminé,
vi peixes a beber pão,
rãs a comerem café.
Construi a minha casa
com o telhado no chão
e a porta bem no cimo
para lá entrar de avião.
Na escola daquela terra
ensinavam trinta burros.
O professor aprendia
a dar coices e dar zurros.



 
.
Prosa
Era uma vez uma senhora velha, anafada, muito enfeitada, que tinha um gato novo, muito lustroso, com uma fita verde em redor do pescoço e um guiso dourado, onde estava gravado o seu nome – Felício.
Era um gato de salão, se assim se lhe podia chamar, tinha boas maneiras, miar delicado e fino, unhas cortadas, dormia numa almofada de veludo e só comia peixe, sem pele e sem espinhas. As suas patas almofadadas nunca tinham pisado na rua, nunca tinha trepado ao telhado, percorria apenas as salas alcatifadas.
Certo dia, estava o gato refastelado a descansar de não fazer nada quando viu mesmo à sua frente um rato a comer-lhe do prato.
Deu um pulo, o guizo tocou, o rato subiu pelas cortinas. Felício ficou a cheirá-lo, de nariz no ar à espera que o rato descesse. Mas não descia. Dançava lá em cima, chiava, cantarolando:
 - Ó gato Felício
Tu vem-me apanhar!
És gato de sala, não sabes caçar!
               Dia após dia, o rato voltava, espreguiçava-se na almofada, lavava as patas na tigela da água, petiscava do bom e do melhor. Felício bem se escondia para lhe deitar unha, mas mal avançava um passo - tlim, tlim - chocalhava o guizo, e o rato, avisado, subia para o armário, saltava para a estante, marinhava pelas cortinas.
               -Ó gato Felício tu vem-me 
apanhar és gato de sala
não sabes caçar!
 Ao ver-se troçado, deixou-se o gato cair em tal tristeza que não mais comeu nem dormiu.
Enrolando em mantas, levou-o a dona ao veterinário, que o observou da cabeça às patas, tirando-lhe o guizo para lhe apalpar o pescoço.
- Este gato não tem dentes furados, nem espinhas na garganta, nem dores de barriga, nem seja o que for. Deve sofrer algum desgosto.
-Sofrer de um desgosto, o gato Felício, se não lhe falta nada? Então ouviu-se uma voz fininha, a chiar, dentro da algibeira da dona:

- Ó gato Felício tu  
Vem-me apanhar!
És gato de sala,  não sabes caçar!

A senhora quase desmaiou o veterinário abriu a boca, e enquanto o diabo esfregava um olho o rato saltou para o chão, do chão para a janela, desta para a rua. Atrás dele o gato, atrás a senhora depois o veterinário. O rato esgueirou-se, o gato fugiu, a senhora voltou para casa a chorar, o veterinário foi para o consultório a rir.
Pela cidade, pelos campos pelos jardins, pelos telhados, corriam o rato e o gato, até que treparam ao alto da chaminé da casa onde moravam. O gato abriu a boca, esticou quando pôde as unhas cortadas e zás... ia agarrar o rato quando este caiu pela chaminé abaixo.
- Desta vez não me escapas! -gritou-lhe o gato, e atirou-se também.
Pobre rato, pobre gato! Mergulharam num panelão. Nadava o rato contente no meio da sopa, afogava-se o gato, que não sabia nadar. Então duas gordas lágrimas tombaram dos olhos do rato e logo duas patinhas empurraram o Felício para a borda, ajudando-o a sair. O gato pingado, reconhecido, abraçou o rato pingão, e ambos, pingando sopa, atravessaram a cozinha, o corredor, e foram deitarem-se lado a lado, na almofada de veludo. E desde essa hora ficaram amigos.
Beatriz Nº3
Marina N º18
Sara Nº23
Inês A. Nº12

Os três pinguins


ERA UMA VEZ UM PIMGUIM QUE ANDAVA A PASSEAR NO GELO.
DE REPENTE VIU OUTRO PINGUIM DISSE-LHE:
-OI QUEM ÉS?
-SOU O JOSE MANUEL-DISSE O OUTRO PINGUIM.       
-JOSE MANUEL QUERES SER MEU AMIGO?
- SIM… QUERO SER … TEU AMIGO.
FORAM OS DOIS E ENCONTRARAM OUTRO PINGUIM QUE SE CHAMAVA MIGUEL E QUE LHES DISSE:
-JOAQUIM QUEM É ESSE PINGUIM NOVO?
-É O JOSE MANUEL.
-QUE NOME TÃO GIRO!
-E QUEM ES TU MEU AMIGO?
-EU SOU O MIGUEL.
-QUERES SER MEU AMIGO JOSE MANUEL?
-SIM QUERO, POR FAVOR.
OS TRÊS AMIGOS IAM A PASEAR, QUANDO DE RREPENTE O GELO RACHOU-SE E SEPARARAM-SE: DOIS FICARAM DE UM LADO COM UM URSO POLAR, O OUTRO FICOU DO OUTRO LADO COM O LEÃO MARINHO.
OS DO LADO DO URSO MANDARAM-SE PARA A ÁGUA E NADARAM ALGUNS KILÓMETOS, PENSANDO QUE SE TINHAM PERDIDO DO OUTRO, E O OUTRO TAMBEM SE MANDOU À ÁGUA E FOI TER A UMA ILHA ONDE DO OUTRO LADO ESTAVAM OS OUTROS PINGUINS. PASSADOS ALGUNS DIAS, OS PINGUINS ENCONTRARAM UM ORANGOTANGO QUE LHES ESTAVA A MANDAR CÔCÔS E UM PAPAGUIO QUE LHES DIZIA:
-VÃO-SE EMBORA DAQUI.
OS PINGUINS RESPONDERAM:
-ES…ESTA BEM NOS VAAAAA…VAMOS JÁ EM…EMBORA.
PASARAM-SE 4 OU 5 DIAS E REENCONTRARAM A SUA CASA.

TRABALHO EFECTUADO POR:
ANTÓNIO ESTEVES Nº 2       
HELDER COELHO Nº 11
CARLOS DEODATO Nº4        
JOSÉ PINTO Nº 16

Conto


As 12 princesas bailarinas



Era uma vez um rei que tinha doze filhas
muito lindas. Dormiam em doze camas, todas no mesmo quarto; e
quando iam para a cama, as portas do quarto eram trancadas a chave
por fora. Pela manhã, porém, os seus sapatos apresentavam as solas
gastas, como se tivessem dançado com eles toda a noite; ninguém
conseguia descobrir como acontecia isso.
Então, o rei anunciou por todo o país que se alguém pudesse
descobrir o segredo, e saber onde as princesas dançavam de noite,
casaria com aquela de quem mais gostasse e seria o seu herdeiro do
trono; mas quem tentasse descobrir isso, e ao fim de três dias e
três noites não o conseguisse, iria ser morto.
Apresentou-se logo o filho de um rei muito fino ate de mais. Foi muito bem recebido e à
noite levaram-no para o quarto ao lado daquele onde as princesas
dormiam nas suas doze camas.
Ele tinha que ficar sentado para ver onde elas iam dançar,
para que nada se passasse sem ele ouvir, deixaram-lhe aberta a
porta do quarto. Mas o rapaz daí a pouco adormeceu; e, quando
acordou viu que elas tinham dançado de noite,porque as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos.
O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e por isso o rei ordenou
que lhe cortassem a cabeça. Depois dele vieram vários outros;
nenhum teve melhor sorte, e todos perderam a vida da mesma maneira.
um dia um ex-soldado passou por a
floresta, encontrou uma velha, que lhe perguntou aonde ia.
— Quero descobrir onde é que as princesas dançam, e assim,
mais tarde, vir a ter uma reconpensa.
— Bem, disse a velha, - isso não custa muito. Basta que
tenhas cuidado e não bebas do vinho que uma das princesas te
trouxer à noite. Logo que ela se afastar, deves fingir estar
dormindo.
E, dando-lhe uma capa, acrescentou:
— Logo que puseres esta capa tornar-te-ás invisível e
poderás seguir as princesas para onde quer que elas forem.
Quando o soldado ouviu estes conselhos, foi ter com o rei, que
ordenou lhe fossem dados ricos trajes; e, quando veio a noite,
conduziram-no até o quarto de fora. Quando ia deitar-se, a mais
velha das princesas trouxe-lhe uma taça de vinho, mas o soldado
entornou-a toda sem ela o perceber. Depois estendeu-se na cama, e
daí a pouco pôs-se a ressonar como se estivesse dormindo. As
princesas puseram-se a rir, levantaram-se, abriram as malas, e,
vestindo-se esplendidamente, começaram a saltitar de contentes,
como se já se preparassem para dançar. A mais nova de todas,
porém, subitamente preocupada, disse:
— Não me sinto bem. Tenho certeza de que nos vai suceder
alguma desgraça.
— vamos! replicou a mais velha. Já não te lembras de
quantos filhos de rei nos têm vindo espiar sem resultado? E,
quanto ao soldado, tive o cuidado de lhe dar a bebida que o fará
dormir.
Quando todas estavam prontas, foram espiar o soldado, que
continuava a ressonar e estava imóvel. Então julgaram-se seguras;
e a mais velha foi até a sua cama e bateu palmas: a cama enfiou-se
logo pelo chão abaixo, abrindo-se ali um alçapão.  O soldado viu-as
descer pelo alçapão, uma atrás das outra. Levantou-se, pôs a capa
que a velha lhe tinha dado, e seguiu-as. No meio da escada,
inadvertidamente, pisou a cauda do vestido da princesa mais nova,
que gritou às irmãs:
— Alguém me puxou pelo vestido!
—Que tola!, disse a mais velha. Foi um prego da parede.
Lá foram todas descendo e, quando chegaram ao fim, encontraram-se
num bosque de lindas árvores. As folhas eram todas de prata e
tinham um brilho lindo. O soldado quis levar uma lembrança
dali, e partiu um raminho de uma das árvores.
Foram ter depois a outro bosque, onde as folhas das árvores eram
de ouro; e depois a um terceiro, onde as folhas eram de diamantes.
E o soldado partiu um raminho em cada um dos bosques. Chegaram
finalmente a um grande lago; à margem estavam encostados doze
barcos pequeninos, dentro dos quais doze príncipes muito belos
pareciam à espera das princesas.
Cada uma das princesas entrou em um barco, e o soldado saltou
para onde ia a mais moça. Quando iam atravessando o lago, o
príncipe que remava o barco da princesa mais nova disse:
—Não sei por que é, mas apesar de estar remando com quanta
força tenho, parece-me que vamos mais devagar do que de costume. O
barco parece estar hoje muito pesado.
—Deve ser do calor do tempo, disse a jovem princesa.
Do outro lado do lago ficava um grande castelo, de onde vinha um
som de clarins e trompas. Desembarcaram todos e entraram no
castelo, e cada príncipe dançou com a sua princesa; o soldado
invisível dançou entre eles, também; e quando punham uma taça de
vinho junto a qualquer das princesas, o soldado bebia-a toda, de
modo que a princesa, quando a levava à boca, achava-a vazia. A
mais moça assustava-se muito, porém a mais velha fazia-a calar.
Dançaram até as três horas da madrugada, e então já os seus
sapatos estavam gastos e tiveram que parar. Os príncipes
levaram-nas outra vez para o outro lado  mas desta vez o
soldado veio no barco da princesa mais velha - e na margem oposta
despediram-se, prometendo voltar na noite seguinte.
Quando chegaram ao pé da escada, o soldado adiantou-se às
princesas e subiu primeiro, indo logo deitar-se.As princesas,
subindo devagar, porque estavam muito cansadas, ouviam-no sempre
ressonando, e disseram:
—Está tudo bem.
Depois despiram-se, guardaram outra vez os seus ricos trajes,
tiraram os sapatos e deitaram-se. De manhã o soldado não disse
nada do que tinha visto, mas desejando tornar a ver a estranha
aventura, foi ainda com as princesas nas duas noites seguintes. Na
terceira noite, porém, o soldado levou consigo uma das taças de
ouro como prova de onde tinha estado.
Chegada a ocasião de revelar o segredo, foi levado à presença do
rei com os três ramos e a taça de ouro. As doze princesas
puseram-se a escutar atrás da porta para ouvir o que ele diria.
Quando o rei lhe perguntou:
—Onde é que as minhas doze filhas gastam seus sapatos de
noite?
Ele respondeu:
—Dançando com doze príncipes num castelo debaixo da terra.
Depois contou ao rei tudo o que tinha sucedido, e mostrou-lhe os
três ramos e a taça de ouro que trouxera consigo.
O rei chamou as princesas e perguntou-lhes se era verdade o que o
soldado tinha dito. Vendo que seu segredo havia sido descoberto,
elas confessaram tudo.
O rei perguntou ao soldado com qual delas ele gostaria de casar.
—Já não sou muito novo, respondeu, - por isso quero a mais
velha.
Casaram-se nesse mesmo dia e o soldado tornou-se herdeiro do
trono.
Quanto às outras princesas e seus bailes no castelo encantado...                                                              
Pelos buracos nas solas dos sapatos, elas continuam dançando                                              
e dançando ate hoje...
                                                                                                         




trabalho de:
nádine
rafael            
carolina
andré
5ºc